Klaxons – ‘Surfing The Void’ (2010)

Klaxons, ‘Surfing the Void’, Londres, 25 de Agosto de 2010.

Dois dias depois do lançamento oficial do segundo álbum, passados três anos do excitante e inovador ‘Myths Of The Near Future’ – período no qual os Klaxons viajaram ao redor do mundo (incluindo América do Sul), receberam todo tipo de premiação, fizeram participações, receberam propostas, se encheram de dinheiro e principalmente de fama, enfim, foram reconhecidos pelo trabalho de qualidade que realizaram – agora é a hora do tão assustador segundo álbum! Isso é, pra toda banda que se preza e busca sempre um mínimo de evolução e qualidade. And they delivered! Como se alguém tivesse colocado o álbum pra tocar, o quinteto (Jamie Reynolds, James Righton e Simon Taylor-Davis – frontmen – e os dois ‘do fundo’, Steffan Halperin na beteria e Finnigan Kidd nos sintetizadores – porque falar ‘nos teclados’ no Brasil pode soar meio degradante) saudou os londrinos com um “É muito bom estar de volta, Londres. Saudades de vocês!”, pra delírio da raça. Intercalando inteligentemente músicas do novo e do primeiro álbum, foi uma pedrada atrás da outra. Tecnicamente impecáveis! Reynolds é o frontman nato. Conversa com a galera com uma simpatia difícil de se encontrar em bandas de hoje em dia, principalmente as indie inglesas, muito cheias de si, too cool for school, como se estivessem no palco fazendo um favor pro público. James, aniversariante da noite, um pouco legal demais até, como se estivesse sempre fazendo charme pras guriazinhas. Mas ok! Nada condenável. Simon e sua guitarra é como se estivessem em outro mundo. Um mundo onde riffs velozes e energizantes comandam – e cabeleireiros nao são muito bem vindos, ou tomam algum tipo de droga que eu desconheço. Enfim, não esperava tamanha energia e qualidade ao vivo.

Carro chefe do álbum, o single ‘Echoes’ descolou do chão os pés ensopados da chuva que caia lá fora mais do que outras músicas do novo álbum. Agora, nada comparado ao que fizeram os já clássicos do primeiro ‘Golden Skanks’, ‘Gravity’s Rainbow’ e principalmente ‘Atlantis To Interzone’, que simplesmente quebrou tudo! Chapéu tirado pros caras! Do-ca-ra-lho! Passei a gostar ainda mais da banda. Tem coisas que só shows fazem por você!

Ha-ha! Acharam, depois de toda essa pagação, que eu ia ficar só no elogio? Uma colocação relevante tem de ser feita: estranhamente, ou nem tanto, no início de 2009, parte do que teria sido este segundo álbum teve de ser regravada a pedido do selo Polydor porque, de acordo com o selo, o som era ‘muito experimental’ para lançamento e, como disse o próprio Reynolds, “nós fizemos um álbum muito denso e psicodélico, e isso nao é a coisa certa pra nós”.

Loco, eu quero o diferente. Eu quero ser surpreendido por um som que eu ainda não ouvi, como fui pelo primeiro álbum. Quero a criatividade como coluna vertebral do som, quero música enquanto arte, pincelada por elementos palatáveis, claro, mas não música enlatada. Sim, ela tem que se pagar, o sistema funciona assim, mas por quê ela tem que ser o que o público quer se, na maioria das vezes, ele nem sabe o que quer? E por quê ele não pode vir a querer uma coisa que ele ainda não conhece? Por quê os mesmos elementos que já venderam o álbum passado tem que vender o de agora? Não, eles não fazem do álbum ultrapassado ou ruim, mas se o filtro criativo do artista produziu ‘picanha recheada com alho e alcaparras assada no forno’, pra que voltar a ‘picanha e sal grosso no espeto’ só porque o povo tá aconstumado a comer? Talvez ninguém a tenha experimentado mas também talvez seja bom pra caralho e não venda tanto, mas talvez venha a vender! Qual é o objetivo principal no final? Para o artista e para o público? Criar e experimentar uma receita nova de vez enquando e , aí sim, decidir se volta pra picanha no espeto, ou continuar comendo a mesma coisa a se indagar se aquilo alí não poderia ser saboreado de forma diferente?

Fiquei curioso pra saber como teria soado o ‘denso e psicodélico’. Não deveriam ter dito nada então. Aí eu ia achar o álbum novo bom pra caralho e não ia reclamar de nada. Bosta.

Faixas do álbum:

 

1. Echoes (3:48)
2. The Same Space (3:12)
3. Surfing The Void (2:37)
4. Valley Of The Calm Trees (3:17)
5. Venusia (4:08)
6. Extra Astronomical (3:17)
7. Twin Flames (4:11)
8. Flashover (5:16)
9. Future Memories (3:43)
10. Cypherspeed (5:08)

 

LINK – ‘Surfing The Void’

 

Categoria(s): Indie Rock